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IFTO é parceiro em projeto que busca dar visibilidade ao patrimônio cultural tocantinense
PNAB
Em uma ação de busca ativa de ações culturais realizadas por comunidades quilombolas e indígenas, uma equipe de investigadores de diferentes instituições realizou o cadastro de 80 projetos da comunidade quilombola Mumbuca na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024, que visa investir regularmente em projetos e programas por meio de editais e outras iniciativas de fomento à cultura.
A ação foi realizada pelo projeto "Transformando conhecimento em inovação: cultura, memória e arte", do qual o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) é parceiro. O saldo representa o trabalho concluído em três dias, durante a Festa da Colheita, organizada pela comunidade neste fim de semana, de 13 a 15 de setembro. O povoado faz parte do município de Mateiros, na região do Jalapão, a 299 km de Palmas.
Mundialmente conhecida por exportar os produtos confeccionados com capim dourado, o povoado Mumbuca ganhou esse nome em alusão a um tipo de abelha da região. Hoje com aproximadamente 200 habitantes, todo mês de setembro a comunidade se organiza para realizar a Festa da Colheita. O projeto encaminhou uma equipe para o evento, tendo em mente que a comunidade estaria cheia de pessoas quilombolas interessadas em participar da PNAB.
Contudo, os projetos inscritos vão para além da confecção de biojoias de capim dourado e passam pela valorização e manutenção da tradição da viola de buriti, produção de tintas sustentáveis entre outros. Como é o caso do projeto inscrito pelo artesão e violeiro Horlei Tavares da Silva, de 32 anos, que busca manter a memória e a arte da viola de buriti na comunidade.
“Esse projeto é muito importante para nós, que vivemos nesta comunidade. Eu, por exemplo, sou violeiro da tradição local e mantenho uma oficina onde ensino os alunos a colher o buriti, confeccionar a viola e tocar o instrumento. Minha intenção é ensinar as crianças e levar essa tradição adiante, porque a tradição da viola de buriti na comunidade de Mumbuca não pode parar”, refletiu o artista, que afirma estar trabalhando com dedicação a fim de ajudar a comunidade.
PNAB na Comunidade Mumbuca
Noemi Ribeiro da Silva, mais conhecida como Doutora, é a matriarca da comunidade e demonstrou muita gratidão com
o projeto que esteve no território. “A presença dessas instituições na nossa comunidade é muito importante, pois nos oferece a oportunidade de participar. Sem isso, talvez nem soubéssemos dos editais. Agradecemos muito a disposição de todos vocês que vieram para nos permitir essa participação e o conhecimento sobre o projeto. Se vocês não trouxessem essa opção de aprendizado, não saberíamos de nada. E, como vocês têm paciência, conseguimos entender tudo”, destacou.
O subcoordenador do projeto, Adriano Alves, fez parte da equipe que esteve na comunidade durante esse período, realizando a inscrição de projetos artísticos da comunidade nos editais do PNAB. “Embora a comunidade Mumbuca seja reconhecida pelo capim dourado, existem outras atividades artísticas que atravessam a economia criativa da região. Por exemplo, as artes visuais, como a pintura dos espaços, a produção de peças de utilidade, que não são apenas decorativas, e a confecção de brinquedos. Esses brinquedos vão além do capim dourado como produto de souvenir, sendo também lúdicos para crianças”, observou Adriano.
Apesar do número expressivo, artistas da comunidade e da região, formada por outros agrupamentos quilombolas, que não conseguiram participar da ação, terão a oportunidade de inscrever seu projeto no edital até o dia 4 de outubro. A equipe do Transformando Conhecimento em Inovação fez formação de multiplicadores, que continuarão o trabalho na região.
Transformando Conhecimento em Inovação
O projeto "Transformando Conhecimento em Inovação" tem como objetivo promover a cultura no Tocantins, com criatividade, inovação e compromisso com o patrimônio cultural do estado, em conformidade com a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Entre as metas do projeto, estão a busca ativa em comunidades indígenas e quilombolas, o suporte aos proponentes de ações ligadas aos editais da PNAB 2024, e o acompanhamento contínuo ao longo da execução dos editais. O projeto também se compromete a garantir acessibilidade e acolhimento de grupos minoritários, com foco em mulheres, negros e indígenas.
O subcoordenador do projeto destacou, ainda, que o sucesso no número de inscrições se deu porque a comunidade Mumbuca é organizada. “Nosso pensamento ocidentalizado costuma imaginar que essas comunidades precisam ser assistidas, que devemos explicar o que devem fazer, mas vimos que não é assim. O único empecilho que enfrentam é a tecnologia. Eles já sabem o que querem e têm plena consciência do que conseguem fazer e entregar”, descreveu e continuou: “quando chegamos, explicamos como o projeto funcionava, e artistas surgiram de todos os lados. Eles já tinham clareza sobre sua atuação na sociedade, como seu trabalho é importante e como isso reverbera. Portanto, o número de artistas registrados se deu porque eles já estavam ali, organizados. Não fomos nós que os construímos. Eles surgiram com suas ideias formatadas, e nós apenas servimos como um instrumento, uma ponte entre eles e a formalização de seus projetos nos portais dos editais”.
Realizado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Tocantins (Proex/UFT), o projeto tem como parceiros o Observatório de Pesquisas Aplicadas ao Jornalismo e ao Ensino (Opaje); a Secretaria de Cultura do Estado (Secult); a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins); a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT); o Instituto Federal do Tocantins (IFTO); e a Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto).
(Kaio Costa, jornalista do projeto, com edição de Thâmara Filgueiras)