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No Dia Nacional do Surdo, o IFTO faz um convite à inclusão

Setembro Surdo

por Thâmara Filgueiras publicado: 26/09/2025 16h42 última modificação: 26/09/2025 17h47

Você já imaginou sua vida se algum dia perdesse algum dos sentidos básicos, como a audição, por exemplo? E já parou para pensar como é a vida de uma pessoa surda ou com alta redução auditiva? Nascer com ou desenvolver uma deficiência auditiva impõe inúmeros desafios de adaptação e inclusão.

Para colocar em evidência e conscientizar a sociedade brasileira sobre a necessidade de inclusão e acessibilidade da 2.pngpessoa com deficiência auditiva, ou seja, que quase não escuta ou não escuta nada, instituiu-se no país o Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro. A data também visa dar visibilidade à comunidade surda no país e celebrar suas conquistas e, durante todo o mês, são realizadas diversas ações que têm como tema "Setembro Surdo" (antes denominado "Setembro Azul").

Inclusão é lei

Em 2015, foi publicada a Lei 13.146, que institui a inclusão da pessoa com deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Entre outras determinações, o dispositivo legal assegura à pessoa com deficiência o direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Dentre esses direitos está o da educação inclusiva, com um sistema educacional que ofereça suportes e adaptações necessárias ao desenvolvimento da pessoa com deficiência. 

3.pngNo Instituto Federal do Tocantins (IFTO), por exemplo, esses direitos são garantidos por meio dos serviços oferecidos pelos Núcleos de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas, os Napnes. Cada unidade acadêmica do IFTO possui um desses núcleos e entre os diversos serviços disponibilizados está o do profissional de tradução e interpretação da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para estudantes surdos ou com alta redução auditiva.

O IFTO conta, atualmente, com 17 estudantes surdos matriculadas na instituição e o acompanhamento dessas pessoas começa antes mesmo de elas ingressarem no IFTO. A primeira ação de inclusão realizada para as pessoas com deficiência auditiva é a tradução do edital do vestibular para Libras.

WhatsApp Image 2025-09-24 at 10.37.18.jpegA coordenadora institucional do Napne, Alini Albuquerque, explica que as ações de inclusão e apoio continuam durante o processo de ingresso ao IFTO, ou seja, no vestibular, quando as pessoas surdas solicitam atendimento especializado. Elas contam com provas adaptadas - seja por meio da tradução integral da prova e/ou do apoio de profissional de um intérprete e tradutor de Libras.

"Quando um estudante surdo é aprovado, a comissão do processo seletivo já encaminha ao Napne essa informação e, antes mesmo de começarem as aulas, o Núcleo já monta a equipe de intérpretes para atender aquele estudante desde o seu primeiro contato com a instituição", detalhou a coordenadora do Napne.

Acessibilidade para além da sala de aula

Atualmente, um esforço conjunto visa garantir a acessibilidade dos materiais institucionais às pessoas surdas por meio da tradução e interpretação de vídeos, eventos, conteúdo da página institucional, entre outras ações. Além de profissionais de Libras ouvintes, o IFTO conta com uma profissional surda, que garante o conteúdo do material institucional traduzido para Libras o mais acessível possível.

Mayara Milhomem trabalha diretamente na Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Proae), na Reitoria, e é surda. Ela Captura de tela 2025-09-26 094414.pngcontou que já nasceu com a deficiência, que foi descoberta logo na primeira infância, aos dois anos de idade. Ao contar sua história, a lembrança que vem é a do jovem Cole, do filme Mr. Holland - Adorável Professor (1995), que é filho de um professor de música e tem a sua surdez descoberta por acaso, quando, em um desfile da cidade, uma sirene muito alta toca e todas as pessoas se incomodam com o ruído, menos ele, que continua a dormir tranquilamente.

A história de vida de Mayara se assemelha ao filme em diversos aspectos: a família não saber se comunicar fluentemente em Libras; desafios para estudar devido à falta de estrutura adequada para garantir um percurso formativo de qualidade; dificuldades de socialização; até mesmo o atendimento em consultas médicas é consideravelmente limitado.

Ela conta que mesmo nos dias de hoje, estudar, por exemplo, ainda é um desafio. Mesmo com o direito de contar com o apoio de profissional intérprete e tradutor de Libras ao ingressar em um curso garantido por lei, ela se viu forçada a desistir, por duas vezes, de um curso superior porque a instituição de ensino só oferecia legendas nas vídeo aulas. Contudo, a alfabetização na língua portuguesa ainda é um processo em andamento.

4.pngCom o auxílio da Suielem Ferreira, que é tradutora e intérprete de Libras no IFTO, Mayara contou que só recentemente passou a estudar o português (escrito). Apesar das dificuldades que ela encontra em aprender a língua, ela entende que para conversar com pessoas ouvintes se torna mais fácil. "Geralmente as pessoas usam mímicas. As pessoas que sabem o básico de Libras usam muito datilologia", conta Mayara. 

Mas a adaptação não deve partir somente da pessoa surda ou com deficiência auditiva. É importante que as pessoas ouvintes também aceitem o desafio de aprender Libras, especialmente, quando há convívio com pessoas com essa necessidade específica de comunicação. Mesmo sendo surda, a Mayara só aprendeu Libras por volta dos 16 anos e somente mais recentemente, já na fase adulta, ela resolveu aprender a língua portuguesa escrita e, para aprimorar sua qualificação, há dois ingressou em um curso de licenciatura em Letras Libras, em que conta com uma estrutura completamente adaptada às suas necessidades de aprendizagem.   

Adaptação

Algum tempo depois de ter ingressado na Reitoria do IFTO, Mayara, com o apoio da equipe da Proae e da Coordenação do Programa Qualidade de Vida, ofertou um curso básico de Libras para os servidores da unidade. A ideia é retomar a oferta, que visa oferecer um atendimento mais inclusivo às pessoas que buscam a Reitoria, como ainda contribui para uma melhor socialização com a Mayara e outras pessoas surdas ou com deficiência auditiva que fazem parte da instituição.

"Quando eu comecei a trabalhar aqui, era difícil comunicar com as pessoas do meu setor e da Reitoria. O curso ajudou muito", disse Mayara, que acrescentou se sentir feliz e acolhida quando alguém se esforça para conversar com ela. A servidora disse que entende que é difícil aprender Libras, mas ela mesma dá uma palavra de inclusão: "é só ter paciência para aprender", completou - assim como ela disse ter paciência para aprender o português.

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