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22 anos da Lei de Libras: IFTO desenvolve ações contínuas para garantir o direito linguístico e a inclusão da comunidade surda

Curso técnico, atividades extensivas e acolhimento de estudantes surdos fazem parte das atividades
publicado: 24/04/2024 10h29 última modificação: 24/04/2024 14h18

Em 24 de abril de 1996 foi sancionada a lei nº Nº 10.436, que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outros recursos de expressão a ela associados, como o meio legal de comunicação e expressão. Nesta quarta, 24, data em que é comemorado o Dia Nacional da Libras, a lei completa 22 anos de aprovação, e ganham destaque os avanços e desafios na luta para garantir o acesso e uso da Libras, consequentemente, o direito linguístico e a inclusão da comunidade surda nos mais diferentes espaços sociais. 

No Instituto Federal do Tocantins (IFTO) são contínuas as ações que objetivam o fortalecimento do ensino da Libras. A instituição oferece cursos básicos em Libras, gratuitos, na modalidade de extensão, ou seja, cursos voltados para o atendimento às demandas apresentadas pela comunidade externa ao IFTO. 

Além disso, teve início neste ano, a oferta do curso técnico em Tradução e Interpretação em Libras, pelo Centro de Referência de Educação a Distância (Cread)- IFTO. Com duração de um ano e meio, o curso proporciona conhecimentos de modo a capacitar  o estudante para tradução de vídeos, textos e áudios em Libras. As atividades do tradutor e intérprete de Libras estão relacionadas a viabilizar as condições de acessibilidade necessárias às pessoas surdas usuárias da Libras. Atualmente, o curso conta com mais de 1500 estudantes matriculados. Visando, ainda, a acessibilidade linguística em Libras, os vídeos produzidos e divulgados pelo IFTO recebem legendas e tradução. As provas de concurso público e vestibulares têm versões em Libras, assim como o edital do vestibular também recebe a tradução da língua.

Soma-se a essas ações o acolhimento de estudantes surdos, nas unidades do IFTO em que eles estão presentes, os Núcleos de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne) dão suporte nas adaptações curriculares, levando em conta a Libras como primeira língua, assim como os intérpretes são acionados diretamente no processo de formação. No total, o IFTO conta com 32 intérpretes de Libras e sete professores de Libras. São  21 estudantes surdos matriculados na instituição em diversos campi e 12 no Cread-IFTO: 8 na unidade de Palmas; 1 em Gurupi; 4 em Porto Nacional; 2 em Araguatins; 1 em Lagoa da Confusão e 5 em Colinas do Tocantins. Além dos estudantes, também acolhe uma servidora surda na Reitoria e outra na unidade de Palmas.

Estudante Bruno durante atendimento no Napne

O atendimento especializado oferecido pelo Napne, tendo Libras como primeira língua, foi decisivo para que o  estudante surdo do curso de Educação Física, da unidade de Palmas do IFTO, Bruno Silva, pudesse assimilar melhor os conteúdos das disciplinas do seu curso. “ Antes de entrar no IFTO eu não sabia nada de Libras, e o professor de Libras começou a me ensinar, quando eu comecei a aprender Libras aqui, tive a oportunidade de aumentar meu conhecimento. O apoio do professor de dos intérpretes melhorou minha vida, eu percebi que antigamente não eram tão claras as disciplinas do curso para mim, mas agora eu consigo pesquisar, eu consigo ter experiência, não esqueço mais os conteúdos das disciplinas”, explicou Bruno.

Estudante Rafael na gravação do glossário de zootecnia

No caso do estudante do curso de Zootecnia do IFTO, Rafael Ferreira, também atendido pelo Napne, a proximidade com a Libras, o motivou a criar um um glossário em Libras para termos técnicos utilizados na área de Zootecnia. “Quando eu cheguei no IFTO eu vi que os professores eram alinhados com os intérpretes em Libras, ficou tudo mais claro, até mesmo para o curso de Zootecnia, então quando estiver formado, eu visualizo que até os sinais que criamos durante o curso vai melhorar o meu futuro profissional”, declarou Rafael. 

Para a coordenadora de inclusão do IFTO, Alini Cardoso de Albuquerque, os relatos dos estudantes evidenciam que assegurar os direitos linguísticos dos surdos é dar voz a eles. “Por muito tempo eles foram calados por uma sociedade “ouvitista”, saber que o IFTO prioriza isso, me faz sentir orgulho, são 22 anos que a Libras foi reconhecida enquanto língua , e proporcionar isso aos nossos estudadas surdos é o mínimo que podemos fazer para que eles concluam com êxito seus estudo” declarou a Alini.